Aprendendo a ser pai, aprendendo a ser filho

Num momento de muitos questionamentos sobre nossos papéis enquanto pais e filhos, no contexto da umbanda, repasso a vocês essa mensagem canalizada agora há pouco do Pai Jacó, preto velho que trabalha na linha do oriente. Espero que ela venha trazer luz e paz a todos que se sentirem tocadas por ela! Beijos e bom início de semana a todos:

 

APRENDENDO A SER PAI, APRENDENDO A SER FILHO

Dentre as grandes benesses e adversidades da vida terrena, talvez a de mais valia seja a relação entre pais e filhos. Saibam todos que em poucas partes do universo, que me foi permitido conhecer, existem poucos orbes onde as relações sejam tão viscerais e complexas. Em muitos locais, sequer há pais e filhos no sentido em que se conhece esse conceito por aqui, apenas a grande reverência ao Criador, o grande Pai/Mãe universal.

No exercício do convívio dentro das suas casas espiritualistas, reconhece-se como pai aquele que provê os conhecimentos, responsabiliza-se por coordenar os trabalhos e detém sabedoria suficiente para multiplicar esses papéis nos filhos e prepará-los para o futuro, onde serão transformados em pais.

Aos filhos cabe a função de aprender, absorver conhecimento e respeitar aqueles que, na forma ilibada da sua postura moral e espiritual, servem de arcabouço e exemplo para a construção dos futuros templos internos de cada filho.

Num mundo conturbado e repleto de conflitos éticos e morais, é natural que esse estado de coisas chegue a seus templos e que relações, cujos papéis eram muito claros até bem pouco tempo atrás, estejam usurpados por práticas pouco salutares e desrespeitosas de ambas as partes.

Cabe lembrar que a sustentação espiritual de uma casa de umbanda, representa a trindade e o equilíbrio entre as partes: o pai/mãe universal, provedor do princípio divino, o filho, representante do divino na matéria, e o espírito santo, que inocula a divindade, o sopro de vida na sua existência terrena.

Se transferirmos esse modelo para as relações entre pais e filhos na vida fora e dentro dos templos, fica muito claro o modelo divino de relações entre pais e filhos, ou seja, a busca do equilíbrio através do AMOR, que é o amálgama maior que deve permear todas essas inter-relações.

Pais humildes, vigilantes e amorosos com as necessidades dos filhos. Filhos humildes, vigilantes e amorosos com as necessidades dos pais. E AMOR, de lado a lado, permeando essas relações, suavizando os deslizes, aconselhando de forma honesta, mas acolhedora, desbaratando o egoísmo, o cinismo e a artificialidade das relações sem coragem.

Sim, porque há que se ter coragem para ser PAI e ter coragem para se ser FILHO. Porque sem coragem, a lágrima não brota e o amor não vinga. E tem que se ter condescendência e bondade para entender as falhas de ambos porque ninguém nasce pai, mas filho sempre se nasce. Os rebentos não nascem apenas dos genes, mas também das ideias, pensamentos e ideais. E esses costumam ser mais duradouros.

Como vocês mesmos dizem, se conselho fosse bom, ninguém dava, vendia. Mas, como eu não preciso mais de dinheiro, vou dar assim mesmo. A cada aurora, pais, matem os filhos que estão dentro de si, insistindo de forma pouco inteligente nos apegos que não mais lhes cabem no novo papel. E, filhos, a cada anoitecer, acalentem com encanto e magia a ideia do pai que querem vir a ser. E assim, pais e filhos unir-se-ão na rotação dos dias, morrendo e renascendo para que sempre haja equilíbrio, para que o AMOR possa fazer o seu trabalho, imantando o coração dos homens com PAZ.

E aconselho ainda uma boa decorada na lei dos três erres: Respeito, Reverência e Reciprocidade. Essa lei funciona sempre, urbi ET orbi.

Agradeço humildemente por esta oportunidade, que, espero, seja de grande valia a pais e filhos. Fiquem na paz de Oxalá.

Pai Jacó
07/09/2014