O Equilíbrio na Ritualística Umbandista

Texto do Exu Ventania, pela mediunidade de Fernando Parada.

As alegorias utilizadas no culto da Umbanda, não são uma obrigação, mas sim uma simples alegoria.

Muitos irmãos de nossa fé, dirigentes e médiuns rodantes, criaram o mito de que a entidade somente se manisfesta, caso os médiuns estejam usando seus adereços.

Adereços são aceitáveis. No entanto, nota-se que muitas vezes um médium diz, minha entidade não vem porque hoje não tem a marca do cigarro que ele fuma. Ou, a bebida que ele bebe, ou os trajes que as entidades usam.

Ledo engano. Muitas entidades aceitam seus adereços sim. Um penacho pode significar uma coroa para o chefe do terreiro, um chapéu de palha pode ser a coroa de um preto velho, etc.Mas brajás, colares de ouro e roupas finas são do gosto do médium.

Realmente, a cor branca não é própria para um trabalho de esquerda. Mas nada impede que essa entidade venha trabalhar, e desempenhar um excelente trabalho, independentemente da vestimenta que o médium esteja usando.

De fato o oxê, ou roupa branca, é nosso uniforme, mas uma entidade que não desça porque o médium não está usando um adereço, é uma situação típica onde percebemos o apego à matéria. Ou um caboclo não trabalhará porque não tem seu fumo predileto, seu vinho, etc.? A entidade que deixar de incorporar por falta de adereços, estará perdendo a chance de semear a caridade, e com isso, poder estar aproveitando essa chance para praticar o desapego à matéria.

Claro que sabemos que o álcool pode ser usado como facilitador de incorporação, claro, em pequenas doses, o tabaco também. Inclusive note-se que em ritos de terras longínquas como na Sibéria, no Himalaia, etc , os curadores fazem uso dessas bebidas para facilitar o transe, obter mais ectoplasma e plasmar energias, pois, conforme dizem os antigos curadores: ” Assim como o peixe nada na água, o espírito flutua melhor à fumaça de incensos e fumos sagrados”.

Entenda-se “Fumo Sagrado”, e não esses cigarros comerciais, que contém centenas de substâncias prejudiciais ao médium e à assistência de forma passiva. Mais vale o médium plantar, colher, purificar, pilar e montar um cigarro de palha ou cachimbo, que comprar produtos que nada tem a ver com a caridade da Umbanda.

Quantas vezes uma pessoa está pedindo a um guia por um ente querido com câncer, e esse mesmo médium está tragando fumígenos cancerígenos. Quantas vezes um Zé Pelintra, por exemplo, deixa seu médium completamente prostrado após um trabalho, de tanto álcool consumido. Será que a entidade precisa de tanto álcool?

Para responder a essas perguntas, proponho a conscientização de que espírito não precisa de marca de bebida, se o filtro é bom ou não. Pode-se ter um equilíbrio. Tudo em sua devida proporção. Pergunto, nesse momento, quem faz exigências é a entidade ou o ego do médium?

Em nossa casa, usamos sim, bebidas: o café do pai preto, os marafos, os tabacos preparados, mas tudo dentro de uma conscientização de que essas ferramentas visam trabalhar os corpos sutis e também o físico.

Muitas vezes, a baforada de um preto velho é muito mais purificadora e incisiva que um bisturi, falando-se em espiritualidade. Uma gargalhada e uma baforada de um exu são mais descarregadoras de energia, que um potente fio condutor.

Proponho não a extinção das alegorias, pois a Umbanda deixaria de ser o ritual que é. Mas o equilíbrio quanto a quantidade e qualidade, seja do que for, pois o interesse dos obreiros de luz é simplesmente fomentar a paz e a cura para nossas agruras.

Tudo em excesso gera desequilíbrio. Das bebidas, aos fumígenos e ao fanatismo. Façamos tudo com moderação, e assim doutrinaremos a nós mesmos, e também aos espíritos que trabalham conosco.

Como diria Pai Joaquim de Angola: “Vigiai…”