A relação confusa entre médiuns e suas entidades

Sempre ouço muitas estórias sobre os médiuns e suas entidades, mas há uma que me agride frontalmente: os médiuns que veem as entidades como provedoras de milagres na sua vida material.

Entendo que todos precisam de recursos para tocar sua vida nesse plano, mas a espiritualidade não é banco, nem financeira. E prosperidade é um conceito bem mais amplo que riqueza material.

Comentários como “Vou largar a umbanda porque as entidades não me dão o que eu quero” ou “Só gasto fazendo oferendas e não recebo nada de volta” são bastante comuns, para não mencionar coisa pior.

Acho que cabem certos esclarecimentos a esses médiuns:

1. A vida material e a espiritual são caminhos diferentes, muitas vezes discordantes. Contar com a espiritualidade para resolver questões financeiras é inadequado e ineficaz. Não há nada de errado em pedir ajuda para se conseguir um emprego, fechar um negócio, buscar prosperidade. Mas nenhuma entidade tem o poder de alterar seu destino ou as vicissitudes pelas quais você deverá passar. Peça força para correr atrás dos seus sonhos e discernimento para separá-los dos pesadelos em que nos metemos por ansiedade ou inexperiência.

2. Muitas vezes buscamos o caminho da resistência às mudanças e e isso dói. Por que insistirmos num caminho, se internamente já sabemos que ele não é o nosso? Por que insistir num emprego que nos sacrifica só pelo salário? Por que insistir numa relação que nos fere, só pelas aparências? Peça conselhos às entidades e não depósitos bancários. Peça amor e não uma relação de conveniência. Peça sabedoria e não conforto material.

3. Autoconhecimento é o melhor caminho! Quem se conhece bem, sabe o que lhe faz falta em determinado momento. As entidades que trabalham conosco nos conhecem melhor que nós mesmos, pois nos conhecem de longa data. E muitas vezes o que queremos (ou achamos que queremos) não é na verdade o que necessitamos. Um pouco de amargo ressalta o sabor do doce… Nosso hedonismo nos cega e às vezes a vida nos dá um chacoalhão para acordarmos. Agradeça a esses seres de luz pelos alertas que nos dão. Sempre!

4. Nosso compromisso com nossos guias espirituais foi firmado por toda a nossa vida toda nesse plano terrestre. Não virem as costas a eles no meio do caminho, porque ainda assim eles estarão ao nosso lado acompanhando o nosso aprendizado e aprendendo conosco. Ruptura de contrato significa voltar ao ponto de origem e recomeçar tudo novamente. Você quer? Eu não.

5. Ame suas entidades, pois são seus grandes amigos. Quando conhecê-las melhor vai perceber que você compartilha muitos dos conhecimentos dessas consciências. De certa forma, eles são nossa consciência expandida, mais sábia e mais divina. Aproveite o amor que provém deles e se nutra dessa bondade e desse desapego.

Sempre há algo de bom para se aprender e compartilhar com nossos irmão de fé mais novos nessa estrada terrena.

Saravá! Fiquem na paz.

Marcos Felipe